Entre os anos de 2001 a 2009, cerca de 12.400 mil crianças americanas, de 0 a 14 anos de idade, foram atendidas em pronto-socorro por asfixia de alimentos, segundo um estudo feito pelo Programa Vigilância Eletrônica Nacional dos EUA.
Os engasgos são causados pela incoordenação do momento em que a pessoa tenta engolir um alimento, seja líquido, pastoso ou sólido e que sem querer invade a parte respiratória. Por vezes, a epiglote, estrutura que fecha a parte respiratória ao comermos e bebermos algo e é que abre ao respirarmos, não estando fechada, faz com que se aspire o conteúdo para a laringe, onde ocorre um reflexo de tosse para tentar expelir o alimento ou líquido aspirado.
Os engasgos podem acontecer em qualquer idade, porém, deve-se ter um alerta maior em relação aos pequenos pacientes, como alerta o pediatra Dr. André Luiz Mathias Arruda. ”As crianças pequenas ainda não apresentam uma coordenação adequada dos movimentos de deglutição e têm a via aérea mais estreita, podendo facilitar o engasgo”.
Como explica Dr. André, os engasgos em recém-nascidos podem ocorrer com mais frequência por conta de refluxo. “O bebê mama o leite e, quando o alimento desce até o estômago, por algum motivo, o conteúdo retorna e chega até lá em cima e volta, encontrando a epiglote aberta, facilitando a obstrução“, explica.
Além dos recém-nascidos, as crianças que também tiveram paralisia cerebral ou asfixia perinatal, através de uma lesão neurológica, podem ter também maior propensão ao engasgo, por terem dificuldades na coordenação do processo de deglutição.
Mas, na população em geral, outro aspecto diz respeito à maturidade da mastigação e deglutição, que ocorre somente a partir dos quatro meses de vida. Ou seja, as habilidades mastigatórias levam certo tempo para serem desenvolvidas. “A introdução dos alimentos em crianças pequenas deve ser com alimentos bem amassados, sem pedaços e, conforme a criança vai evoluindo, os pais devem começar a introduzir alimentos com consistência mais firme”, explica o pediatra.
Assim, pode-se entender porque os engasgos em crianças são mais comuns do que em adultos.
Um alerta que pode ser feito é quanto aos fatores comportamentais, que também podem aumentar o risco, como caminhar, correr, conversar, rir enquanto ingere algum alimento, podendo causar obstrução das vias aéreas.
Alguns alimentos, como amendoins, sementes, nozes, pipoca, requeijão, balas, chicletes, pedaços grandes

Dr. André Luiz Mathias Arruda
Pediatra
CRM 118967
de carnes e queijos duros, marshmallows e salgadinhos, salsichas, linguiças, quando dados a crianças, devem sempre ter atenção dos adultos.
Alguns alimentos devem receber maior atenção para crianças menores de dois anos, além dos já citados. Os alimentos são: uvas, uvas passas, casca de frutas, frutas duras, vegetais duros e verduras cruas, broto de feijão, espaguete, verduras cortadas em tiras.
Alimentos com formatos arredondados, duros, que exigem maior trituração e pegajosos, devem receber atenção extra, pois, nem todas as crianças engolem logo após mastigarem como afirma Dr. André. “Para aquelas crianças menores que querem comer uma bolacha ou um pedaço de carne, é bom que o adulto esteja sempre próximo. As bolachas mais secas, muitas vezes, formam uma pasta grossa na boca e se as crianças não a engolem e seguem comendo mais, aumentam os riscos obstrutivos”.
Segundo o pediatra Dr. André, o engasgo passa a ser uma emergência quando as crianças se asfixiam, ou seja, quando não tem a passagem de ar. “Existem algumas manobras que podem ser feitas, mas, existe diferença de socorros para crianças menores e maiores de um ano. Normalmente, eu aconselho aos pais que queiram aprender as manobras para procurarem seus pediatras ou até mesmo cursos de primeiros socorros chancelados por instituições conhecidas”.








