CineMania exibe filme com tradução simultânea em Libras

Na sexta-feira (28 de setembro), o CineMania realizou uma sessão especial para deficientes auditivos, professores e estudantes de libras. O filme Alfa, que teve sua estreia na quinta-feira, foi exibido com tradução simultânea em libras, com três intérpretes.
A partir do surgimento da ideia, a equipe da companhia passou a dedicar-se na divulgação do evento em escolas e entidades para deficientes auditivos. “Demos prioridade aos deficientes, mas também divulgamos para estudantes e professores de Libras”, comenta a funcionária do CineMania, Rafaela Araujo (23).
A sessão era inteiramente gratuita para o público destinado e seus respectivos acompanhantes; cada deficiente auditivo tinha o direito de levar consigo duas pessoas. Dentro da sala, que comporta pouco mais de 220 pessoas, estiveram presentes entre 50 e 100 pessoas, segundo Marisa Razani (41), também funcionária do cinema. “Metade dos espectadores eram deficientes auditivos. Além disso, tivemos aqui pessoas de Americana, Paulínia, Artur Nogueira e o coral ‘Encantar com as Mãos’, de Hortolândia”, afirma Marisa.
O recebimento do público para com o projeto foi positivo. Rafaela Araujo afirma que a companhia foi alvo de elogios pela iniciativa, principalmente, através das redes sociais. “Os espectadores também gostaram muito e já estão esperando pela próxima sessão. Temos planos para novos projetos do tipo, só não temos data marcada ainda”, comenta Rafaela.
Apesar de ser destinado ao público de libras, o filme possuía áudio e dublagem para os acompanhantes. Já os tradutores de libras localizavam-se nas partes laterais da sala, sob uma luz, em revezamento ao longo da sessão. “Foi uma noite maravilhosa, cercada de pessoas iluminadas! A sensação é de estar em família! E agora vamos torcer para que mais sessões como esta aconteçam”, disse Jeanete Bredes, também funcionária do CineMania.

Tradução
Os intérpretes Elizabeth Costa Jardim Lima, Samuel F. Rodrigues e Leticia Navero, de Campinas, receberam o convite de José Ricardo, um dos proprietários do CineMania, alguns dias antes da exibição do filme, e atenderam prontamente.
“Esse projeto foi inovador e totalmente inclusivo na comunidade surda da cidade de Cosmópolis e região, pois houve a tradução simultânea do filme Alfa! Os surdos, em sua maioria, não acompanham as legendas dos filmes devido a defasagem do respaldo no ensino da rede pública e particular. Sendo assim, com a libras, eles conseguem perceber as emoções nas expressões e contextos da tradução. Nesse filme, eles se sentiram iguais, participando o tempo todo das ações e palavras do filme”, comenta Elisabeth Costa, de 38 anos.
Segundo ela, os presentes na sessão ficaram felizes com o filme, chegando a postar declarações e elogios com a tradução em Libras. “Alguns deficientes chegaram até nós, após a sessão, e agradeceram pela interpretação. Justificamos que estávamos prestando um serviço ao CineMania, mas que estávamos gratos pelo convite”, pondera.

Gratidão
O deficiente auditivo Renan Pereira Moraes (29) foi um dos espectadores do filme na sexta-feira. O jovem, que trabalha como almoxarifado, afirma que esse projeto se mostrou uma enorme conquista para a comunidade de deficientes.
Renan passou cinco anos estudando Libras, e esta foi a primeira vez que compareceu a uma sessão de cinema com tradução simultânea para a lingua de sinais. Até então, o jovem só havia assistido filmes legendados. “Eu fiquei muito feliz, pois, sem essa ideia, não conseguiria ter essa oportunidade”, escreveu Renan.

Coral “Encantando
com as Mãos”
A intérprete de Libras, Neillyn Ferreira Adriano (21), do coral “Encantando com as Mãos” recebeu o convite para participar do projeto a partir de Elisabeth Costa, que mencionou a existência do coral ao proprietário do local e este formalizou a presença do grupo de Hortolândia.
“Antigamente, não se ouvia falar de tradução em Libras no cinema, era um verdadeiro tabu na sociedade. E isso é muito importante, pois, junto a este projeto, estamos levando a igualdade e a inclusão do deficiente na sociedade. Todos nós, ouvintes, temos nossos direitos, então por que um surdo não tem os mesmos?”, pondera Neillyn.
Para a jovem, que já havia realizado traduções em linguagens de sinais em cinemas, se trata de uma sensação inigualável e muito prazerosa. “Em Cosmópolis, vi os deficientes ficarem maravilhados e encantados, tanto com o filme, quanto com a tradução. Eles agradeciam muito. Cheguei a ter uma conversa rápida com uma delas, e eu via os olhos dela brilharem. Este projeto do CineMania abriu um grande espaço para os deficientes auditivos”, conclui.

José Ricardo Pinto Nasr se pronunciou sobre o evento e afirmou ter se tratado de um ato extremamente gratificante. “Dia 26 de setembro, foi o Dia Nacional do Surdo e queríamos fazer algo para comemorar a data. A libras é a segunda língua oficial do Brasil, porém, infelizmente, ainda não é amplamente difundida fora da comunidade dos surdos. Assim, para eles, o acesso a diversas instituições, mesmo públicas, se torna difícil. Pensamos que, como tínhamos capacidade de oferecer um entretenimento de qualidade e acessível, por que não fazer a primeira sessão especial na semana do Dia do Surdo? Esperamos que esta seja a primeira de muitas que ainda virão”, finaliza.