Convulsão febril é um dos problemas mais comuns na infância

A febre é uma condição comum na infância, principalmente, nos primeiros anos de vida e causa preocupações nos pais. O aumento da temperatura é apenas um sintoma de infecção ou inflamação, mas, em certos casos, pode levar à convulsão, também chamada de crise convulsiva febril.
De acordo com o pediatra André Luiz Mathias Arruda, as convulsões associadas com a febre são um problema pediátrico bastante comum, e por definição devem ocorrer na ausência de infecção do sistema nervoso central (meningites) ou desbalanço de sais minerais, que poderiam mimetizar um quadro semelhante.
A prevalência das convulsões febris gira em torno de 3% a 8% nos sete anos de idade, e essa proporção declina com a idade, sendo mais comum em crianças menores.
As convulsões febris resultam de uma combinação de fatores, como explica o médico. “A exposição dela a certos fatores ambientais aliada também à uma predisposição genética”.
Em crianças com crise , quase ¼ apresenta um histórico familiar de crise convulsiva febril, ou seja, o pai ou a mãe podem ter tido na infância, quando comparados com populações que não tiveram pais que apresentaram o mesmo problema.
O médico explica que um erro muito comum é achar que pelos pais apresentarem epilepsia (Condição na qual convulsões estão presentes devido a outros fatores), isso faz com que aumente a chance da criança. Esta relação nunca teve comprovação científica.
As crises podem ocorrer entre seis meses até os seis anos, com uma idade de início médio aos 18 meses. “Metade das crianças apresenta aos 12 meses de idade, ou seja, entre um ano e dois anos e meio”.

Como identificar uma

Dr. André Luiz Mathias Arruda Pediatra CRM 11896 

convulsão febril
De acordo com o pediatra, as crises convulsivas podem ser classificadas como simples e complexas.
As simples podem chegar a durar 10 minutos. “São convulsões rápidas generalizadas, ou seja, percebe-se todo o corpinho envolvido no processo chamado tônico-clônico – isso quer dizer que existe uma fase em que a criança fica mais dura, que é chamada tônico, e também a fase de balançar, de movimentar o corpo, que é a fase clônica”.
As classificadas como complexas têm duração maior de 10 minutos, chances de múltiplas convulsões em 24 horas e também não têm o padrão generalizado, ou seja, exercendo a crise tônico-clônica em um segmento limitado do corpo.
Normalmente, 90% das crises têm uma curta duração de 10 minutos, mas, existem crianças com 10% de incidência de convulsões que tenham mais de 15 minutos. “Uma convulsão muito prolongada é um fator de risco para futuros ataques. Este padrão é observado somente em 15% dos pacientes”.

Consequência
Para a tranquilidade dos pais, na maior parte dos casos, a convulsão febril é uma condição benigna e as crianças que já tiveram uma convulsão febril não apresentam alterações na inteligência, crescimento do tamanho da cabeça e de comportamento quando comparadas às crianças que nunca tiveram crises. “Estudos já comprovaram isso e mostraram que a capacidade acadêmica, comportamental e também de memória não são afetadas”.

 

Recomendações
O pediatra André Arruda explica que, na ida ao hospital, é necessário manter a criança de maneira confortável que evite que ela se engasgue com a própria saliva. Também é recomendado não colocar objetos ou dedo na boca da criança.
Para finalizar, recomenda que a criança com crise deve ser levada ao médico para iniciar acompanhamento. Já para os casos complexos e recorrentes é necessário um acompanhamento conjunto com o neuropediatra.