Sexta-feira, 17 de julho de 2026

Lançamentos de março da Todavia e da Baião

História da violência, Édouard Louis

Um romance complexo que captura o impacto avassalador de uma agressão sexual, transformando um trauma em uma reflexão visceral sobre a nossa sociedade. Tradução de Marilia Scalzo.

Sinopse

Publicado dois anos após o aclamado O fim de Eddy, este romance tem como ponto de partida uma noite de Natal de 2012. Ao caminhar de volta para casa pelas ruas desertas e geladas de Paris, após uma agradável ceia entre amigos, Édouard cruza com um homem atraente que o aborda de forma insistente. Dividido entre o desejo e a vontade de ficar sozinho, o narrador acaba cedendo e o convida para seu apartamento.

Depois de uma madrugada de trocas intensas e íntimas, Édouard é ameaçado, agredido e estuprado. Reda foge. Profundamente traumatizado, ele inicia os procedimentos burocráticos para registrar a denúncia e se depara, entre outras coisas, com as dificuldades enfrentadas por homens gays ao relatarem esse tipo de violência.

A partir dessa experiência devastadora, que o conduz de volta à pequena cidade do interior da França, o autor realiza um audacioso exercício de catarse literária, não apenas para analisar e compreender os impulsos mais vis do ser humano, mas também para explorar as múltiplas facetas da violência.
O autor

Édouard Louis nasceu em Hallencourt (França), em 1992. É autor de Quem matou meu pai (2023), Lutas e metamorfoses de uma mulher (2023), Mudar: Método (2024), Monique se liberta (2024), O desabamento (2025) e O fim de Eddy (2025).

Lá é o tempo, Maria Fernanda Maglio

O novo romance de uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea

Sinopse

“Mataram o borracheiro Salu.” Assim começa o mais novo romance de Maria Fernanda Maglio. No livro, acompanhamos a história de André, um menino que ouve essa frase na escola e, de repente, sente um vazio no peito — uma falta que lhe sobe à boca. André conhecia Salu, e o conhecia bem: passava as tardes depois das aulas na borracharia, sob o pretexto de aprender algo sobre carros e motores, quando, na verdade, o que desejava era apenas a companhia daquele homem.

Ao saber do crime, André passa a alimentar uma sede de vingança e decide ir atrás do suposto autor do assassinato. A narrativa, então, intercala essa busca por justiça com a investigação conduzida por um escritor muitos anos depois, interessado em descobrir o que motivou a sucessão de acontecimentos bizarros que se abateram sobre a pequena cidade — um verdadeiro banho de sangue sobre o qual ninguém ousa falar. Com uma narrativa impactante, este é o segundo romance de Fernanda, autora vencedora do Prêmio Jabuti e finalista do Prêmio Oceanos.
A autora

Maria Fernanda Maglio nasceu em Cajuru (SP). Publicou Enfim, imperatriz (Prêmio Jabuti, 2018), 179. Resistência (Prêmio Literário Biblioteca Nacional, 2020) e Quem tá vivo levanta a mão (finalista do Prêmio Oceanos, 2021).

Entre bispos e reis: A trajetória de Mequinho, um gênio brasileiro do xadrez, Uirá Machado

Do auge como herói nacional ao recolhimento religioso, do xadrez como arma da Guerra Fria aos conflitos locais no interior paulista, estes são os lances de uma trajetória singular.

Sinopse

Henrique Costa Mecking — o Mequinho — foi o maior enxadrista brasileiro. Nos anos 1970, chegou ao terceiro lugar no ranking mundial, foi cotado ao título e duelou de igual para igual com os astros soviéticos. Tudo isso numa época em que o Brasil mal tinha livros sobre o assunto, ou professores capazes de ensinar em alto nível. Ele superou as limitações, quebrou recordes e entrou para a galeria do esporte nacional ao lado de Pelé e Emerson Fittipaldi. No auge, porém, recuou: abandonou um torneio, desapareceu por mais de uma década, atribuiu a reclusão a uma doença neuromuscular, declarou-se curado por milagre e até tentou ser padre — antes de retornar ao xadrez.

Com base em vasta pesquisa — mais de cem entrevistas, 110 obras e cerca de 7 mil reportagens —, Uirá Machado nos conta neste livro os detalhes dessa vida singular.
O autor

Uirá Machado, formado em direito e filosofia pela USP, trabalha como jornalista da Folha de São Paulo desde 2004. Atualmente, é editor da CasaFolha. Nasceu em São Paulo, em 1980.

Navegadores: Uma viagem através do império perdido de Portugal, Erika Fatland

Uma viagem magnífica e hipnotizante que atravessa presente e passado da língua portuguesa no Brasil e no mundo. Tradução de Leonardo Pinto Silva.

Sinopse

O que conecta japoneses, moçambicanos, brasileiros e habitantes de São Tomé e Príncipe? A resposta está na expansão marítima portuguesa, que a partir do século XV deu origem ao primeiro império ultramarino da história — e ao último a se desfazer, apenas em 1974.

Seguindo as rotas abertas pelos navegadores lusitanos, Erika Fatland percorre quatro continentes e três oceanos para investigar as marcas deixadas por um império perdido. Entre vestígios quase apagados e memórias ainda dolorosas, a autora constrói um mosaico histórico que ilumina as continuidades entre passado e presente e convida o leitor a refletir sobre a formação dos impérios e o mundo interconectado em que vivemos — unidos, até hoje, pela língua portuguesa.
A autora

Erika Fatland nasceu em Haugesund, Noruega. É mestre em antropologia social pelas universidades de Oslo e Copenhague. Alcançou reconhecimento internacional com Sovietistão (2015). Vive em Oslo.