Sexta-feira, 30 de outubro de 2026
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Nova linhagem do vírus responsável pela febre Oropouche pode estar ligada ao atual surto da doença, diz pesquisa

Vírus é transmitido principalmente pela picada do Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora

Uma pesquisa liderada por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou que uma nova linhagem do vírus responsável pela febre Oropouche (OROV) pode estar ligada ao atual surto da doença.

A pesquisa teve como objetivo rastrear a origem e a evolução genética do OROV que levou ao surto iniciado em 2022.

Para o estudo, foram analisados 382 genomas completos do vírus, coletados de amostras humanas em diferentes estados da região Norte, entre 2022 e 2024.

De acordo com o artigo, o aumento de casos de OROV coincide com o surgimento de uma nova linhagem viral, provavelmente originada no Amazonas entre 2010 e 2014, e que se espalhou silenciosamente na segunda metade da década de 2010.

O que é a febre Oropouche?

A Febre do Oropouche é uma doença causada por um arbovírus (vírus transmitido por mosquitos) do gênero Orthobunyavirus, da família Peribunyaviridae. É transmitido principalmente pela picada do Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora.

O vírus foi detectado no Brasil em 1960, a partir de amostra de sangue de um bicho-preguiça (Bradypus tridactylus) capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.

Os sintomas são semelhantes aos da Dengue e Chikungunya como: febre, dor de cabeça, dor muscular e dor nas articulações. Outros sintomas, como tontura, dor atrás dos olhos, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos também são relatados.

Duas primeiras mortes confirmadas

O Ministério da Saúde confirmou, no dia 25 de julho, duas mortes por febre oropouche na Bahia que estavam sob investigação. Ambas as vítimas, mulheres com menos de 30 anos e sem comorbidades, apresentaram sinais e sintomas semelhantes aos de dengue grave. Antes disto, não havia registro na literatura científica mundial de óbitos causados por essa doença. A investigação dos casos foi feita pela Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab

Neste ano, foram registrados 7.236 casos da doença, em 20 estados brasileiros. A maior parte dos casos foi registrada no Amazonas e em Rondônia

O Ministério da Saúde reforça que em caso de sintomas suspeitos, procure ajuda médica imediatamente e informe a exposição potencial à doença.


Foto: Conselho Federal de Farmácia/Reprodução