Obras nacionais e internacionais abordam temas como colonização, pandemia, laços familiares e literatura infantil em edições recentes
A cena literária ganha fôlego com o lançamento e a reedição de obras que transitam entre diferentes países, épocas e gêneros, reunindo reflexões profundas sobre identidade, pertencimento, memória e afetos. Entre os destaques está Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida, romance vencedor do Prêmio Oceanos, que acompanha a trajetória de Aquiles e de seu pai, Cartola, entre Angola e Portugal, em meio às marcas do colonialismo, do exílio e do preconceito. Nascida em Luanda, a autora é uma das vozes mais relevantes da literatura contemporânea em língua portuguesa e foi agraciada, em 2025, com o Prêmio Vergílio Ferreira.
Outro destaque é a nova edição de S. Bernardo, de Graciliano Ramos. Publicado originalmente em 1934, o romance é narrado por Paulo Honório, que revisita sua própria história em um exercício de autocrítica. A edição conta com texto cuidadosamente estabelecido, posfácio de Antonio Candido e material crítico inédito, reafirmando a força de um dos maiores clássicos da literatura brasileira.
Já Nossos amigos do campo, de Gary Shteyngart, traz um olhar ácido e bem-humorado sobre um grupo de amigos reunidos em uma casa de campo durante a pandemia de 2020. Com diálogos afiados, o romance discute privilégios, relações humanas e o impacto da crise sanitária, mesclando leveza e reflexão.
No campo do ensaio literário, A trinca do Curvelo, de Elvia Bezerra, revisita a cena cultural brasileira do início do século XX, com foco em Manuel Bandeira e seus vínculos afetivos. Premiado pelo Pen Club, o livro retorna em edição ampliada, com novos textos que aprofundam a relação entre literatura, memória e cidade.
Para o público infantil, O mundo é meu, de Tahmineh Haddadi, com ilustrações de
Haleh Ghorbani, apresenta uma narrativa sensível sobre deslocamento, esperança e pertencimento. A obra acompanha uma família em uma travessia imaginativa pelo mundo, ressaltando a importância de ter um porto seguro para onde voltar. A tradução é assinada por Nicolas Voss, especialista em literatura persa.
Os lançamentos da Todavia reforçam a diversidade da produção literária contemporânea e o poder da literatura de conectar experiências humanas em diferentes tempos e lugares.








